ID#6 – Sensibilidade pós-operatória x Sistemas adesivos

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Leia o artigo nesse link: Artigo 6.

Transcrição do vídeo

Olá pessoal, eu sou Dulce, Dulce Simões do Inspirando Dentistas e estou aqui novamente trazendo um artigo super, ultra, mega interessante, e o assunto já vou adiantar para que vocês fiquem ligadinhos aqui comigo até o final. O assunto desse artigo é sensibilidade pós-operatória quando se faz restaurações com resina composta em dentes posteriores. Vai perder essa? Claro que não pois essas informações podem te levar a um próximo nível…

Olha pessoal, antes de comentar diretamente sobre o assunto, eu só quero lembrar que estamos com nosso podcast e que se você não tem tempo de ver os vídeos, baixa esse aplicativo e vai escutando. O importante é escutar, e claro, perguntar, discutir, dizer que gostou ou que não gostou, e aceito sugestões. Sugestões são sempre bem vindas.

Mas, vamos deixar de conversa e vamos direto ao que interessa, que hoje é esse artigo aqui, que é uma revisão sistemática e meta-análise sobre as estratégias adesivas, se essas estratégias influenciam, apresentam alguma influência na sensibilidade pós-operatória em pacientes adultos que tiveram seus dentes posteriores restaurados com resinas compostas.

Pessoal, nós ja sabemos que resina composta em dentes posteriores não se discute mais, e que a demanda para esse tipo de restaurações é enorme, primeiro por razões estéticas, e associadas a essas razões, o aumento do medo da toxicidade do amálgama, e os problemas ambientais associados ao mercúrio. Mas, infelizmente, apesar de todo mundo estar fazendo, e de hoje já termos excelentes resinas compostas, bem como excelentes sistemas adesivos, a sensibilidade pós-operatório ainda é mencionada como um problema, chegando, segundo alguns estudos, a até 30% dos casos. Esse fato muitas vezes foi atribuído principalmente ao uso de sistemas adesivos convencionais que indicam o condicionamento ácido total, esmalte e dentina. Como consequência disso, já estamos carecas de saber, teremos a remoção da Smear Layer, abertura dos túbulos dentinários, e assim, aumento da permeabilidade dessa dentina. Acontece também que muitas vezes esse condicionamento excede demais o tempo, desmineralizando essa dentina em excesso e muitas vezes reduzindo as chances de uma impregnação completa do adesivo nessa dentina desmineralizada. Essa penetração incompleta pode deixar áreas vazias na camada híbrida, bem como fibras colágenas expostas e permitindo o movimento do fluido dentinário, sabe quando? Quando há estresse oclusal, quando o dente entra na mastigação, quando há estímulos térmicos e até doces.

Esse fato levou muita gente a pensar que melhor seria, ou seja, essa sensibilidade seria evitada se ao invés de se usar o sistema adesivo convencional, poderia ser empregado um autocondicionante e assim pronto essa tal sensibilidade iria embora… Será mesmo? Quantos de nós usa autocondicionante e mesmo assim tem sensibilidade pós-operatório? Ou será que não existe mais isso? Pois meninos, esse estudo tem exatamente esse objetivo. Foi feita uma revisão sistemática para identificar a seguinte, vejam bem, a seguinte questão: O uso de um adesivo autocondicionante em relação ao sistema convencional influencia o risco e a intensidade de sensibilidade pós operadora em pacientes adultos?

Vejam bem, esse foi uma revisão sistemática onde muitos estudos foram excluídos e ao final ficaram apenas 29 estudos. Independentemente do método empregado, os dados que foram agrupados na metanálise  revelaram que o tipo de estratégia, se o adesivo é autocondicionante ou convencional não afetou o risco de sensibilidade pós-operatório. Mas vejam bem… Extrapolar isso para vida clínica tem um senão, como os próprios autores falam na discussão do trabalho. Mas tem um detalhe que devemos comentar. O detalhe é que as pesquisas foram feitas dentro de universidades, e as restaurações realizadas sem pressa, e por profissionais calibrados e experientes. O que talvez explique a diferença de resultados com relação a outras pesquisas que foram realizadas fora do ambiente universitário e que mostraram menos sensibilidade quando do uso dos adesivos autocondicionantes. Outra coisa é que vários trabalhos falam sobre o maior risco de sensibilidade em cavidades mais complexas, sendo o maior risco em cavidades classe II MOD seguidas das classe II MO e DO e finalmente as cavidades de classe I. Outro fator importante é a profundidade da cavidade. Bem, os autores terminam o artigo concluindo que a estratégia adesiva parece não influenciar no aparecimento de sensibilidade.

O que podemos tirar desses comentários para a nossa clínica? Vejo claramente duas coisas. A primeira que se a técnica é correta, protocolo bem feito qualquer sistema adesivo se mostra bem nesse quesito de sensibilidade. E segundo, que em condições não ideais talvez os autocondicionantes por eliminarem o condicionamento ácido da dentina, tenham realmente menos sensibilidade pois ao eliminarem esse passo eliminam os erros que podem ser acarretados, como tempo de condicionamento, lavagem, remoção da umidade… Vale a reflexão

Bem, se vocês gostaram, comentem, curtam e quando estiverem conversando com outros colegas falem do Inspirando Dentistas e dos nossos vídeos, podcasts e redes sociais.

Beijo grande e vejo vocês na próxima semana.

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