ID#7 – Selamento de superfície

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Transcrição do vídeo

Olá pessoal vocês sabem me dizer qual a influência do uso de um selante de superfície na microinfiltração e no manchamento das restaurações de resinas compostas? Seja muito bem vindo ao Inspirando Dentistas e eu sou Dulce, Dulce Simões e tenho certeza que esse vídeos fazem você pensar sobre cada passo do seu trabalho clínico.

Antes de responder a essa pergunta eu quero mais uma vez te lembrar que seus comentários são muito importantes e saber o que vocês acham sobre os assuntos me faz ter uma orientação para os próximos vídeos. Por isso não fiquem passivos vamos para à ação, compartilhem e me ajudem a divulgar esse trabalho. Visitem nossas páginas do facebook, instagram, nossa página, assinem o nosso canal do youtube e ouçam os nossos podcasts.

Mas agora vamos para o conteúdo porque isso é o que interessa e é o conhecimento que vai te levar para um próximo nível. Pois bem, o propósito ou objetivo deste estudo in vitro foi avaliar a influência de um selante de superfície, no caso desse estudo foi usado o selante de superfície Biscover (Bisco), na microinfiltração e no manchamento marginal e superficial das resinas compostas, aqui usada uma resina micro-híbrida, também da Bisco. Esse estudo foi realizado em cavidades Classe V e as restaurações foram submetidas a diferentes tempos para a realização do acabamento e polimento, explicando melhor o trabalho…

Nesse trabalho foram usados 40 dentes, onde foram feitos preparos de classe V na vestibular e na língual. Essas cavidades foram padronizadas e foram restauradas com a resina Renew, micro-híbrida como já falei.

Depois de restaurados esses dentes foram divididos em 4 grupos de 10 dentes e cada grupo, ou seja grupo 1, 2, 3 e 4 foram tratados de maneiras diferentes.  No grupo 1 a restauração foi acabada e polida imediatamente depois de feita, sendo esse acabamento feito com os discos flexíveis Soft-Lex da 3M ESPE em baixa rotação seguindo a ordem de maior para menor granulação.

O grupo 2 também recebeu o acabamento e polimento imediatamente, do mesmo jeitinho do grupo 1, só que diferentemente do grupo 1 esse grupo teve sua superfície resselada com o selante de superfície Biscover.

Como que faz esse resselamento? Esse ressecamento é feito depois do acabamento e polimento. Primeiro é feito  um condicionamento ácido de toda a superfície da restauração extendendo um pouco além das margens, pegando a estrutura dentária. Condicionou? Lava, seca e aplica esse material, é um selamento mesmo, do mesmo jeito que selamos cicatrículas e fissuras, só que aqui estamos selando a restauração.

Mas vamos aos outros dois grupos. O grupo 3 foi restaurado e só foi acabado e polido 24 horas depois de terminada a restauração. O acabamento e polimento foi feito do mesmo jeito. E finalmente o grupo 4 foi acabado e polido 24 depois e depois do acabamento e polimento foi resselado.

Recapitulando: grupos 1 e 2 acabamento e polimento imediatamente depois, grupos 3 e 4 acabamento e polimento depois de 24 horas. Grupos 1 e 3 sem resselamento e grupos 2 e 4 com resselamento

Depois de feitas as restaurações os corpos de prova foram submetidos a uma técnica de envelhecimento que no caso foi a termociclagem, é para simular as restaurações em boca, afinal não esqueçam que o trabalho foi in vitro, ou seja em laboratório. Feita toda a metodologia vamos ver quais foram os resultados?

Primeira coisa: os resultados mostraram que não houve diferença alguma em termos de microinfiltração, quando a questão é tempo de acabamento e polimento. Trocando em miúdos, fazer o acabamento e polimento na mesma sessão deu o mesmo resultado das restaurações acabadas e polidas 24 horas depois. Na discussão do trabalho eles comentam que isso, essa diferença que pode acontecer nos tempos e que já foi mostrada em outros trabalhos pode acontecer nas resinas microparticuladas, mas para as resinas micro-híbridas, como é o caso dessa usada aqui nesse trabalho, esse tempo não fez diferença.

E com relação ao manchamento? Bem pessoal, com relação ao manchamento, os dois grupos que sofreram o resselamento apresentaram aumento no manchamento quando comparado aos que não foram resselados. Isso decorre de fatores intrínsecos e extrínsecos. Os intrínsecos envolvem a degradação da própria matriz resinosa do selante e oxidação dos seus fotoiniciadores. Quem são os fotiniciadores? Fotoiniciadores são as substâncias colocadas nas resinas para que  ao serem estimuladas iniciem o processo de polimerização.

Outro ponto é a absorção de água dos selantes que pode acentuar o processo de manchamento devido à degradação dessa matriz orgânica dos materiais resinosos. E durante esse processo de colagem térmica existe uma exposição acentuada à água, o que pode ter afetado negativamente as propriedades mecânicas e físicas do material resinoso. Apesar do selante de superfície Biscover ser composto por monômeros que tem uma capacidade menor de absorver água esse material não possui carga, e quem absorve líquido? A parte orgânica da resina, e aqui só temos parte orgânica. E haja absorção de líquido… E não é só água né? Todo tipo de líquido que colocamos na cavidade oral. Outro fator que influencia o manchamento dos selantes é sua subpolimerização. Essa subpolimerização permite a difusão de corantes proveniente da dieta por meio da matriz da resina. Essa polimerização inadequada é devida à provável união mais rápida  que acontece entre os monômeros e o oxigênio. Não esqueçam que o oxigênio é um forte inibidor da polimerização.

E o terceiro aspecto observado foi se o resselamento realmente é capaz de diminuir a infiltração marginal. O resultado mostrou que ele reduz a infiltração mas não é capaz de impedir totalmente a microinfiltração marginal. Os selantes de superfície, por serem materiais resinosos fotopolimerizáveis de baixa viscosidade e alta capacidade de molhamento, penetram por ação capilar nos microdefeitos do esmalte, no corpo e nas margens das restaurações, promovendo, após a sua polimerização, uma barreira mecânica com capacidade de selar os microdefeitos e diminuir a microinfltração marginal. A capacidade de penetração do selante de superfície e, consequentemente, sua efetividade no aumento da integridade marginal são dependentes de sua viscosidade, da capacidade de molhamento e da tensão da energia de superfície. Então pessoal nessa pesquisa, os selantes de superfície foram eficazes em penetrar e selar o corpo da restauração, mas sua capacidade em penetrar nas fendas marginais foi questionável, ocorrendo microinfiltração nas margens da restauração.

E vamos colocar isso na prática? Eu vejo alguns pontos interessantes. Primeiro que se você está usando uma resina micro-híbrida pode dar acabamento e polimento na mesma sessão ou na sessão seguinte, sem problemas. Eu gosto de dar na sessão seguinte pois geralmente já estou bem cansada na mesma sessão, principalmente se forem restaurações anteriores, onde vamos precisar de muito tempo nesse passo. Posteriores mais fáceis. Segundo ponto: sei que tem muita gente que gosta de colocar esse tipo de resina fluida sobre as restaurações, principalmente nas restaurações anteriores para simular um excelente polimento. Viram que mancha mais? E já entenderam porque mancha? vai querer resina manchada em curto espaço de tempo na região anterior? Claro que não… E ponto três, resselar restaurações posteriores pode ser interessante para deixar uma superfície mais uniforme pois ele é capaz de deixar o corpo da restauração mais uniforme, e como digo, algo mais uniforme é mais difícil de desgastar que uma superfície irregular.

E não esqueçam de agir… coloquem aqui embaixo o comentário de vocês e passem esse vídeo adiante. Um beijo grande e até a próxima semana.

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