ID#8 – Resina Infiltrativa

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Leia o artigo nesse link: Artigo 8

Transcrição do vídeo

Olá pessoal, olha eu aqui novamente trazendo para vocês hoje um artigo que relata quatro casos com manchas brancas onde foram usados protocolos super conservadores que mascaram essas manchas brancas pela infiltração na sub-superfície do esmalte de uma resina hidrofóbica. Querem saber mais sobre isso? Então fiquem aqui comigo, e para quem não me conhece ainda, eu sou Dulce, Dulce Simões do Inspirando Dentistas e tenho certeza que essas informações podem te levar a um próximo nível…

Olha pessoal, antes de comentar diretamente sobre o assunto, eu só quero lembrar que estamos com nossos podcasts e que se você não tem tempo de ver os vídeos, baixa esse aplicativo e vai escutando. O importante é escutar, e claro, perguntar, discutir, e divulgar esse projeto.

Mas vamos ao que interessa. Primeiro eu quero saber se vocês já ouviram falar em resina infiltrativa. Se já ouviram, vou só relembrar e para quem não ouviu ainda, vai aí a informação…resina infiltrativa é um material de baixa viscosidade que é empregado para alguns tratamentos não invasivos. Nós já sabemos que hoje vivemos uma odontologia minimamente invasiva, moderna e minimamente invasiva e seguindo essa rota hoje se preconiza o uso dessa técnica. É na verdade uma nova terapia onde se combina a erosão das superfícies afetadas e posteriormente a infiltração do material, para permitir o mascaramento das manchas brancas pela modificação das propriedades ópticas do esmalte.

Inicialmente essa técnica foi proposta para infiltração de lesões de cáries incipientes. A técnica de infiltração de cárie foi desenvolvida e investigada por uma universidade de Berlim, na Alemanha e foi posteriormente produzido um material para uso clínico, um material da DMG. Esse produto foi projetado para o tratamento de lesões de cárie não cavitadas, localizadas em superfícies proximais e outras superfícies lisas, e consiste em infiltrar os micro espaços e as micro porosidades da lesão com uma resina de viscosidade muito baixa com coeficiente de penetração elevado. Essa penetração acontece através de capilaridade. Em alguns estudos essa técnica provou que pode dificultar ou até mesmo deter a progressão da cárie em estudos in vitro, mesmo em ambientes agressivos, naquelas cavidades muito predispostos às cáries. A penetração da resina na lesão só é possível porque antes é feito um ataque químico da superfície do esmalte. Este tratamento ácido elimina uma camada de esmalte superficial e permite a penetração adequada do corpo da lesão. É usado o ácido clorídrico a 15% por 2 minutos.

Bem, o objetivo inicial dessa técnica eram as lesões de cáries não cavitadas ainda. Mas vejam que interessante…Isso poderia ser indicado também nas manchas brancas decorrentes de outros fatores?Os autores já começam a pesquisar isso levando o olhar para um outro ponto. Pelo ponto de que ao acontecer a infiltração dessa resina se tem como consequência modificações das propriedades ópticas desse local. Nesses casos clínicos, desse artigo, eles selecionaram manchas brancas decorrentes de fluoroses e sequelas traumáticas. Isso porque essas lesões apresentam padrões irregulares de mineralização e são histologicamente caracterizadas por um esmalte sub-superficial hipomineralizado e altamente poroso. E como esse esmalte sub superficial está poroso, deixar essa camada superficial permeável e passível da penetração da resina ao esmalte poroso, faz com que essa resina que possui um índice de refração de luz semelhante ao do esmalte, possa ter a capacidade de mascarar alterações sub-superficiais. As microporosidades do esmalte de todos os tipos de manchas brancas, como as de fluorose, cáries iniciais ou defeitos traumáticos, elas contém água, que tem um índice de refração de 1,33 ou ar que tem esse índice de 1. Esta diferença nesse tal de índice de refração provoca a dispersão da luz dentro do volume da lesão e vamos dizer que acentua o aspecto esbranquiçado das lesões. Aí, o objetivo da infiltração nas áreas estéticas é, portanto, preencher as microporosidades do esmalte hipomineralizado com uma resina cujo índice de refração é próximo ao do esmalte saudável, ou seja a resina tem um índice de 1,47 e o esmalte de 1,52, e aí sim, com isso mascarar o defeito desse esmalte. Vejam que interessante, a preservação dos tecidos é máxima: a perda consiste somente em algum esmalte superficial, que tem de ser condicionado para tornar acessível a região porosa e hipomineralizado do corpo da lesão.

O objetivo deste artigo foi discutir o mecanismo de ação desta nova terapia minimamente invasiva e apresentar resultados clínicos com acompanhamento de até 19 meses, destacando a melhora estética alcançada em quatro pacientes, dois com fluorose e dois com manchas decorrentes de traumas, usando erosão e infiltração do esmalte, em conjunto com clareamento dentário, quando necessário.

Então vamos ver como eles fizeram, qual o protocolo. Primeiro os pacientes passaram 21 dias clareando os dentes com peróxido de carbamida a 10%. Terminado o clareamento, esperaram 15 dias e aí fizeram a técnica de erosão e infiltração.

Essa técnica era feita da seguinte maneira: os dentes foram limpos e isolados com isolamento absoluto e depois de isolados foram submetidos ao ácido clorídrico a 15% por 2 minutos, Lavagem com água durante 30 segundos; Secagem durante 30 segundos; Aplicação do álcool (99% etanol), tudo isso já vem no kit do material, esse etanol aplicado durante 30 segundos. Secagem durante 30 segundos; aí molhavam, se a macha tivesse desaparecido ele partiam para as etapas seguintes, caso não, se não tivessem desaparecido, eles repetiam até 3 vezes esses passos, passando o ácido sobre a superfície, sem esfregar e em movimentos circulares. Aplicação da resina por 3 minutos, polimerização por 40 segundos, aplicação de uma segunda camada por 1 minuto e nova polimerização por 40 segundos.E aí finalizada essa etapa eram realizados acabamento e polimento.

Resultados? todos os pacientes ficaram extremamente satisfeitos com os resultados, embora ainda pudessem ser observados alguns pontos brancos, mas foi uma técnica realmente minimamente invasiva.

Minha opinião? É como se fosse uma microabrasão mais suave e que tem a vantagem de após essa etapa infiltrar essa resina com esse índice de refração semelhante ao do esmalte. Mas infelizmente nas manchas mais profundas muitas vezes temos que ser mais invasivos. Mas vale a pena conhecer mais uma possibilidade e como somos profissionais de saúde quanto mais pudermos poupar tecido dentário sadio melhor.

Espero que tenham gostado e se gostaram curtam e principalmente falem aos colegas do Inspirando Dentistas, ok? Visite nossa página, nosso Facebook, Instagram, e não esqueçam de assinar nosso canal do Youtube e Podcast.

Um beijo grande e até o próximo vídeo.

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