ID#3 – Lesões cervicais não-cariosas

Tempo de leitura: 7 minutos

Leia o artigo nesse link: Artigo3

Transcrição do vídeo

Olá pessoal, olha nós aqui outra vez, com mais um artigo para ser comentado com vocês. Para quem está caindo aqui de para-quedas pela primeira vez, eu sou Dulce Simões fundadora do Inspirando Dentistas e sempre faço vídeos semanais falando sobre algum assunto que possa facilitar sua vida clínica. Nesse nosso novo projeto de 2017 estamos semanalmente apresentando e discutindo um artigo, uma publicação científica, mostrando a pesquisa e a importância clínica dos aspectos dessa pesquisa.

Hoje o nosso artigo não é uma pesquisa mas a descrição de um caso clínico fazendo algumas considerações sobre as lesões cervicais não cariosas com retração gengival. O artigo comenta sobre esses dois aspectos separadamente, e como resolveu, qual o protocolo clínico que foi empregado aqui, ok? Então vamos lá pessoal.

Primeiro se estamos com um caso onde existe a lesão cervical com cavidade e além dessa lesão existe um retração gengival acentuada, e que no seu planejamento deve ser resolvida, temos que levar em consideração os aspectos restauradores e os aspectos cirúrgicos.

Esclarecendo e relembrando as lesões cervicais não cariocas também conhecidas como LCNC são descritas como lesões  onde aconteceu a perda de tecido duro e onde o agente não foi o processo carioso, o responsável não foi a cárie. Essas lesões podem levar a sensibilidade, podem ainda promover uma deposição maior de placa nessa região e também irritação gengival. Na grande maioria dos casos essas lesões são restauradas usando resinas compostas ou CIV, mas infelizmente mostram um grande número de falhas. E por que que essas falhas acontecem com tanta frequência? E acontecem mesmo quando usamos os melhores adesivos, os melhores materiais, mesmo assim  é um tal de soltar dessas cavidades que é um verdadeiro inferno. Pois bem, sabe por que falham? primeiro pela dificuldade de isolamento, é uma área de muita umidade, e essa umidade vem do sulco gengival, os fluidos dos sulcos. Segundo, pela dificuldade maior de adesão as dentinas hipermineralizadas, que é o que temos nessa região. Se você que saber um pouco mais sobre isso vai lá no nosso facebook ou instagram que fizemos recentemente um postagem falando sobre isso. Vale a pena conferir. E terceiro ponto também já falamos qui em outros vídeos da estabilidade adesiva ao esmalte e das falhas que acontecem quando não temos esmalte mas apenas dentina, que é o que ocorre muitas vezes nesse tipo de cavidade, principalmente quando ela é radicular. Pontos importantes para esses procedimentos restauradores, um material que tenha boa adesão e que ao final tenha um bom acabamento e polimento. Não posso colocar material poroso próximo a gengiva pois aí vou tem mais acúmulo de placa e mais irritação gengival. Que material? Nesse artigo ele indica os os CIV ou as resinas compostas que podem ser as resinas, inclusive as resinas flow ou fluidas. Vamos concluir o artigo e ao final vou comentar sobre esse ponto também, dando a minha opinião.

Mas vamos lá. Um outro ponto importantíssimo que o artigo fala é que não adianta apenas resolver as questões das cavidades com procedimentos restauradores ou da retração, mas é importante também, e muito importante entender o que levou a isso, se você não remove a causa isso vai continuar acontecendo. As vezes é preciso uma intervenção multidisciplinar para que as causas sejam resolvidas.

Outro aspecto é que as estratégias de tratamento pode variar de acordo com o tipo de retração, onde está a margem da cavidade e qual sua extensão. Alguns autores citados aqui nesse artigo apresentam um guia vamos dizer assim para ser vir de orientação. Por exemplo: Se a cavidade está apenas na superfície radicular uma boa opção é a cirurgia periodontal recobrindo essa área. Apenas isso sem procedimentos restauradores. Se a lesão está acima da junção amelo-cementária, ou seja na coroa do dente, pode ser indicado apenas o procedimento restaurador. mas quando você tem uma cavidade que envolve coroa e raiz e está associada com a retração gengival, uma boa indicação seria inicialmente restaurar a cavidade, chamado aqui a atenção que a restauração deve envolver apenas a área da cavidade que está na coroa e nada de material restaurador na área que esta na raiz, essa área será recoberta em um passo seguinte que é a cirurgia mucogengival.

No caso reportado nesse artigo era de uma pessoa do sexo feminino, 43 anos e com várias lesões cervicais associadas a retrações como podemos ver aqui. Inicialmente foram feitos procedimentos restauradores, foi usado um sistema adesivo autocondiconante de dois passos o Clear fill SE BOND da Kuraray, fazendo mesmo sendo autocondicionante o condicionamento seletivo do esmalte. Foi usada uma resina micro-híbrida a Filtek Z-250, da ESPE 3M, seguindo todo o protocolo restaurador. Ponto importante, essas são áreas difíceis de colocar isolamento absoluto então tem que usar os fios de retração gengival para evitar contaminação dessa área com fluido do sulco. Lá no início falamos que uma das causas de falhas desse tipo de restauração é devido a contaminação, a dificuldade de isolamento, adesivos e resinas não gostam de umidade, isso tem que entrar definitivamente na cabeça de vocês.

A restauração tem que ter uma certa convexidade, que deve promover um bom perfil de emergência após a cirurgia. Feita a restauração acabamento mais grosseiro na mesma sessão e sete dias depois o polimento final. É imprescindível que essa área seja muito, muito, muito bem polida.

Após essa etapa a cirurgia foi feita por um periodontista usando uma técnica a técnica do enxerto de tecido conjuntivo subepitelial em “envelope”. Essa técnica é bem indicada quando existem múltiplas recessões adjacentes. Ela tem a vantagem de ter uma cicatrização rápida e um excelente resultado estético isso porque ela não faz incisões laterais.  Não vou entrar em detalhes sobre esse procedimento cirúrgico pois está todos descrito no PDF que disponibilizamos lá na nossa página inspirandodentistas.com.br e também porque não é minha área a área cirúrgica.

Então conclusão desse artigo? Que quando temos Lesões Cervicais Não cariocas simultaneamente com recessões gengivais temos que levar em consideração os dois aspectos da lesão, o tecido duro e o tecido mole. Um aspecto importantíssimo é o bom acabamento e polimento da ou das restaurações antes da cirurgia mucogengival, e finalmente o preciso diagnóstico para se poder escolher o correto tratamento. Sempre bato nessa tecla, um bom resultado clínico, um trabalho de sucesso começa e só acontece quando lá atrás se fez um correto diagnóstico e um bom planejamento.

E para fechar o nosso vídeo de hoje sacadas clinicas. primeiro, Se você não consegue fazer isolamento absoluto tem que fazer a colocação do fio de retração gengival para evitar contaminação o que vai diminuir o desempenho adesivo. Outro ponto, nessa área que geralmente acontece você tem uma dentina hipermineralizada que é difícil de ter uma boa adesão, faça antes ou passe antes uma ponta diamantina de diâmetro compatível com a cavidade asperizando essa dentina para remover essa capa hipermineralizada possibilita uma adesão melhor. E finalmente eu particularmente prefiro como material restaurador uma resina micro-híbrida, nanoparticulada, ou microparticulada do que o CIV que por mais polimento que se dê sempre tem uma superfície mais rugosa que essa duas outras resinas.

Bem, pessoal espero que vocês tenham gostado e que esse vídeo de hoje tenha contribuído de alguma forma com dia a dia clínico, aí com aquela momento que você fica meio indeciso sem saber o que fazer primeiro.…

se gostaram curtam, compartilhem e comentem, quanto mais vocês fazem isso mais esse vídeo é mostrado para outras pessoas e eu preciso de vocês para fazer esse projeto girar. façam sugestões também é importante pra que eu saiba o que vocês gostariam de saber. Então um beijo grande e até o próximo vídeo.

Deixe seu Comentário